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Conheça a história do carimbó

O ritmo amazônico é típico do Pará.


Ele nasceu das mãos calejadas e dos pés descalços dos agricultores.

O carimbó é um ritmo amazônico, típico do Pará, que nasceu das mãos calejadas e dos pés descalços dos agricultores paraenses. Um ritmo, uma dança, uma identidade. O nome carimbó ou curimbó vem do tupi: curi é pau oco e m'bó é furado.

A união das palavras também batizou o tambor grande e o curimbó se toca com as pernas abraçando o instrumento. O milheiro e as maracas completam a sonoridade indígena. A dança de passos miúdos, em roda, também vem da tradição dos índios, mas não seria de todo Brasil se não tivesse mistura.

No rebolado sensual está a herança do sangue negro, presente ainda no batuque acelerado e no som do banjo. Do branco europeu vem o saxofone, a flauta ou o clarinete. O jeito de dançar em rodopios, com a formação de casais, é bem português.

Tudo isso está muito ligado ao estado do Pará, principalmente à região do estuário do Rio Tocantins, ilha do Marajó e nordeste do Pará, que concentra a grande maioria dos grupos de carimbó do estado.

Tem até festival, como o que acontece no município de Marapanim, que reúne grupos de todo o Pará, desde 2004. Em Marapanim existem, pelo menos, 40 grupos  de carimbó, que se dividem em duas regiões: a do Salgado e o da Água Doce, por causa dos rios que atravessam as comunidades.

É difícil afirmar com exatidão onde nasceu o carimbó, mas para o historiador Agripino da Conceição, citado em uma música, foi em Marapanim, o que enche de orgulho o Mestre Santinho. “O carimbó nasceu aqui em Marapanim, na nossa comunidade de Maranhãozinho. Você está aqui, no berço do carimbó", diz.

Carimbó também diverte gente muito simples, que dança sem fantasia, em chão de terra batida. Em Santarém Novo, município de pouco mais de seis mil habitantes, perto de Marapanim, o ritmo está muito ligado à religião. É o chamado “carimbó pro santo”. Sempre no final de dezembro, um grupo da comunidade rural de Rio Maracanã festeja São Benedito, santo negro da igreja católica e tudo começa com carimbó. Veja no vídeo acima como é essa festa que mistura religião e carimbó e mais detalhes do ritmo.

Priscila BrandãoMarapanim, PA

O município de Marapanim, no nordeste do Pará, recebe nos dias 29, 30 e 31 de maio o Festival do Carimbó, uma celebração da manifestação cultural que no ano de 2014 recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Cultura Brasileira.

Na entrada do município os visitantes são recebidos pela imagem de Luiz Rebelo da Costa, o Mestre Lucindo, um dos principais responsáveis pelo título que a cidade recebe: Terra do Carimbó. No município, que tem cerca de 29 mil habitantes, existem quarenta grupos de carimbó.

Pesquisadores contam que a relação dos moradores com o Carimbó é uma herança dos primeiros habitantes do local. "O Carimbó praiano, pesquisas apontam que nasceu aqui, no século XVIII, no município de Marapanim. Ele surgiu com um grupo de ex-escravos, numa localidade às margens do Rio Marapanim", conta o historiador Carlos Canuto.

Dona Maria comanda o grupo mais antigo da cidade, chamado Borboletas do Mar. O marido dela também foi Mestre de Carimbó, Pedro Roberto Alves, e deixou um pedido quando adoeceu. "Cuida do meu Carimbó", relembra Dona Maria, que pretente cumprir o pedido. "Até quando Deus quiser, até quando Deus me der vida e saúde a tradição vai continuar", promete.

A tradição se mantém viva com a entrada de integrantes mais jovens nos grupos, como o adolescente Carlos Henrique Corrêa, de 14 anos. "Eles gostaram de mim, gostaram do meu batuque e me levaram pra começar", conta o jovem, que passou a fazer parte do grupo após um teste.

Para o dançarino Thiago Souza, de 21 anos, é uma honra perpetuar a tradição. "Eu me sinto muito honrado junto com os menus parceiros de dançar o Carimbó, de pé no chão. Enquanto um grupo estiver tocando lá no palco, a gente está dançando aqui embaixo, é muito bom", celebra o dançarino.

Cauê Lima apareceu pela primeira vez no programa É do Pará quando tinha apenas 3 anos de idade, e hoje aos 8 anos faz parte do grupo Flor do Mangue, do Mestre Branco, que pretende descobrir mais "príncipes" e "princesas" do Carimbó. "Muitas crianças querem vir pro grupo, então eu quero fazer uns curimbós menores pra ensinar eles a tocar, cantar e dançar", planeja o mestre.

O Carimbó em Algodoal

MESTRE CHICO BRAGA

Documentário

Com mais de 60 anos, Chico Braga, o mestre do carimbó de Maiandeua, a Ilha de Algodoal, sofreu um infarto nesta segunda-feira, 7 de setembro, e foi encontrado já sem vida por volta de 14h. Na noite anterior, Francisco Paulo Monteiro Braga teria feito uma larga apresentação no Mupéua, bar conhecido da ilha, localizado na Praia da Princesa. Artistas e produtores culturais da capital paraense foram comunicados da morte e a notícia começou a circular pelas redes sociais. 

O músico foi reconhecido tardiamente e gravou seu primeiro CD em 2011. Também foi tema de documentário, lançado em abril deste ano. “Mestres Praianos do Carimbó de Maiandeua”, de Arthur Arias Dutra, foi lançado com exibições em Algodoal, registrando os principais mestres do carimbó, com destaque para Chico Braga, que era a principal referência cultural da região e influenciou gerações. No filme, ele dá exemplos de sabedoria popular, de geografia da ilha e de tradições culturais como manutenção da população tradicional. 

“Tribo de Maiandeua” foi o nome dado ao CD do mestre, que fez parte do box “Casarão”, que ainda abrigava trabalhos de artistas vinculados ao coletivo Casarão Cultural Floresta Sonora, como Juca Culatra e os Piranhas Negras, Calibre, Strobo e Metaleiras da Amazônia. 

O disco foi produzido pelo músico Léo Chermont, assumido admirador do mestre, compositor, músico e fabricante de instrumentos. Chermont considerava Chico um “artista marginal” e passou três anos para convencê-lo de gravar o álbum em estúdio.

Nascido no município de Magalhães Barata, Chico Braga mudou-se para Algodoal há mais de 40 anos, onde vivia como pescador.

(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)